terça-feira, 21 de março de 2017

Se fosse uma questão de tempo eu até que esperava, Audrey Hepburn:

16:53:00
Ouvi dizer que
Se me trancasses numa torre
Vivias cem mil anos sem me vir buscar

Ouvi dizer que
Se me trancasses num calabouço
Teriam de me querer para salvar

E como ninguém me quer
E como ninguém vem falar
Tu fazes-te mulher e bem tentas comunicar

Com um parlapié adocicado
Como se de um xarope se tratasse
Falas comigo um bocado
Para que mais nada avançasse

E tudo desce e desce
Para dar volta à barriga,
ou à bexiga?
«Para quê tanta intriga?»

Talvez porque traição não dá
Já cá não está quem falou
Me disse «Não confies em estranhos»
Bem as sabia meu avô
Que de estranho já não sou
Mas esse teu olhar estrangeiro
Me fez lembrar porque já cá não estou
E porque me sinto tão estranho

Já não sou quem era
Ou quem ousei pensar ser para ti
Ou quem realmente fui e não quis

Já nem reconheces
Quem te tentou dar de tudo
Um peso sobrehumano sobre o mundo

Talvez porque traição não dá
E já não choro sobre isto
Tirou-me o sono que tinha para tirar
As olheiras começaram a aumentar
E é tão simples como rimar em «ar»
Que esta merda tinha de acabar
E eu falo do poema...

terça-feira, 14 de março de 2017

Até um dia...

17:23:00
Olá,
Que maneira mais simples e eficaz de começar a dizer tudo o que não tive coragem de dizer durante tanto tempo. Um simples “olá”. Questão que mete muitos seres a pensar. “Como ei de começar a dizer tudo o que tenho para dizer?” Basta um olá.
Não um olá muito informal, não nos conhecemos ou não nos conhecemos demasiado bem para eu te dizer um olá informal. Trato-te com cordialidade porque assim o mereces. Olá.
Não perguntarei se está tudo bem porque nunca está tudo bem. Aliás, daí que estou a escrever este texto. Nunca está tudo bem. Estou mal, estás mal, estamos mal, estão mal, o que quiserem. Aviso com relativa prévia que vou mandar “caralhadas” para o ar. Se chamar filho deste, mãe daquele, ou puta é problema meu e da mais bela língua que escolhi escrever.
Não, não está tudo bem. Antes estivesse, antes não estivesse doente, antes não tivesse trabalhos para entregar, antes não tivesse de acordar às sete da manhã, antes não tivesse de amar. “Ui, mais um que se deu mal com o amor.” Não, eu não me dei mal com o amor, eu dei-me mal com a pessoa que eu amava. “A culpa foi dela?” Não, a culpa foi minha.
Não houve falta de expressão, expressei-me das mais belas maneiras de me expressar ao sexo oposto. Prosa, poesia, musica ou um simples “liga-me.” «Não» foi a resposta dela, não podia estar mais à espera naquele momento. Senti-me traído pelos meus próprios sentidos e proclamei a mim mesmo que não estava apaixonado, que não passava de uma qualquer brisa e que logo iria passar. Muito me enganava. Quanto mais insistia, mais ela negava e quanto mais eu negava, mais ela insistia nessa ideia que devia de negar. Não, eu decidi apaixonar-me. Que fofo, que besta. Chegou a um limite, tornei-me quem não era. Queria ser eu mesmo e queria que ela fosse ela mesma. Queria quebrar as mascaras, não me apercebi que fui eu que coloquei mascaras em ambos. Tentei com jeitinho, pedi e pedi e fui bruto. Dei como garantida a nossa amizade e fingi que não queria mais com frases como «não te amo, mas queria». Mentira, eu amava-a.
E tinha tanto receio de a ver mal que tudo o que me pudesse por mal era suplantado para o mais confinado dos lugares e ou até desaparecia, eu desliguei do meu mundo para tentar chegar ao dela e quando tinha pequenos vislumbres do meu, percebia que estava a perder o mundo que tanto tempo dediquei a criar. Fui-me abaixo tantas e tantas vezes e pedi-lhe que ela me agarrasse. Um dia saturou. Não a culpo, só lhe peço desculpa.
Tantas vezes lhe disse “eu amo-te” sem nunca o dizer porque não queria ou não achava que o devesse por esta ou aquela opinião. Maioritariamente a dos meus amigos a confrontar-me com a verdade. Dizia que “não, não, achas?” lembrando-me de todas as outras que me fizeram sentir o mesmo.
Mas… ai o “mas”, o fatídico “mas”. Aquele “mas” que a vai comparar às outras e fingir que em algum momento estou a melhorar a situação. Este, mas refere-se a ela. A ela eu amava. “Deixa de ser conas e vai para outra.” Não era o que esta sociedade me diria? Não é o que eles me dizem? Mas são eles mesmos que me dizem para seguir os meus sonhos e cada vez que sonhava com ela dizia ter pesadelos!
Não estou mesmo a querer ser educativo com isto. Não estou a pedir redenção e muito menos perdão, já falhei tantas vezes e pedi perdão tantas outras. Ela sempre me desculpou, mas eu não acho que desta vez deva pedir perdão. Só um obrigado. Obrigado por teres feito parte da minha vida. Mesmo que numa breve passagem, serás lembrada.

sábado, 4 de março de 2017

Se vivesse sem ti

12:24:00
Antes de mais, desliguem as musicas! O espectáculo a que vão assistir é dos mais comoventes que tenho a horna de apresentar. Não vou falar sobre lamechisses. Não me vou queixar da vida. E não me vou pronunciar sobre o machismo (talvez noutro dia). 
Já dediquei muitos posts a muita gente, umas pessoas mereceram-no. Outras não. Outras, ainda hoje estou na dúvida. Mas este post de certeza merece ser feito e esta pessoa merece claramente o que tenho a dizer.
Sem ele, eu garanto-vos, pode soar tão gay quanto possivel mas "eu nada teria se vivesse sem ti".
E foi engraçado o como isto correu. Eu estava a pensar no que havia de dizer e escrever e lembrei-me da música de um dos meus filmes favoritos da Disney: monstros e companhia, e a musica do final.
Sabem como se chama? Pois... 
Se vivesse sem ti...
É... Sou assim tão original...
E tudo me liga àquele gajo. É impressionante!
A letra... o ritmo... até o facto de ser, sem sombra de dúvida, uma musica de Jazz, estilo que ele tanto gosta. 
Mas deixem-me contextualizar-vos com a letra e a música:








Sully: Se eu fosse rico,
Montes de euros, aos mil...
Mike: E uma vivenda,
com uma vista baril.
Sully: Se eu fosse elegante, (Mike: Não dá)
Sonhar é assim,
Eu nada teria se vivesse sem ti.
Nada teria se vivesse sem.
Nada teria se vivesse sem.
Nada teria...
Mike: Posso-te dizer um segredo? Já tive inveja (Sully: Tas verde,até) do teu grande charme.
Fazes sucesso, eu sei...
Sully: Sim eu sei, eu sei, eu sei.
Mike: Mas devo dizer-te, amigo assim nunca vi.
Eu nada teria se vivesse sem ti!
Mike e Sully: Tu e eu para sempre! Pois é tão fácil de ver!
Fico até doente, não te quero perder! Quero perder!
Mike: Mas eu não era nada(Sully: Oh não!) se não pudesse ajudar.
Sou olhito para o esquisito. Nervo optico a olhar.
Bem, também fico mal. Nem tudo é rosa para mim. (Sully: é azul, já vi)
Eu nada teria se vivesse sem ti!
Sully: Dancemos
Mike: Oh mãe, estou a dançar. Deixas-me conduzir? É verdade, tipos leves são bons a dançar. Tu não te atrevas...
Tu não te atrevas...
TU NÃO TE ATREVAS!
Ah! Devia-me ter esticado.
Sully: Não, eu não era nada se estivesse sem ti. (Mike: Eu sei o que queres dizer Sully, porque...)
Sem saber onde ir (Mike: eu sei, porque...) mas quero que fazer. (Mike: porque é que continuas a cantar a minha linha?)
Mike e Sully: Não é para dizermos (Sully: mas eu cá vou dizer) Tu viste e eu já vi,
Eu nada teria se vivesse sem,
Eu nada teria se vivesse sem,
Eu nada teria se vivesse sem ti.
Eu nada teria se vivesse sem ti.
Mike: OUTRA VEZ! FUNCIONA!
Sully: Não é para dizermos!
Mike: De onde é que veio toda esta gente?
Sully: Tu viste e eu já vi!
Mike: Vamos a isto grandalhão!
Mike e Sully: Eu nada teria se vivesse sem.Eu nada teria se vivesse sem,Eu nada teria se vivesse sem,
Mike:Ti,
Ti,
TI!
Sully e Mike: Esta canção é para ti!




E é verdade! Somos sempre assim tão animados, estamos sempre a cantar e temos as nossas diferenças como toda a gente mas só Deus sabe o que nós evoluímos graças ao outro.
Acho que nunca lhe disse isto cara-a-cara porque não tenho jeito a falar com as pessoas, jeito este que abunda nele, mas estou francamente orgulhoso do homem que ele se tornou e se está a tornar ainda. E isto dito de um bicho-do-mato que achava que os seres humanos eram um tipo de parasita ainda não confirmado. 
Meu caro, pouco ou nada tenho para dizer que já não tenha dito a não ser isto: posso (e vou) estar muito longe, longe para caraças, mas eu nada teria se vivesse sem ti!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Oi, curtes Vampire Weekend?

09:27:00
Gostaria de escrever sobre a singularidade de cada ser. O "descortinar do detalhe". A invenção do dêmo para a apreciação fatal do que culmina no nosso fim.
Na ideia sã que não estou são, mas sou capaz de ter gasto horas intermináveis a pensar no quão são consigo ser ao pé de ti. De tentar desenhar um daqueles mapas e ligar os pontos, tudo isto só para adivinhar uma conversa contigo. Esse meu hobbie dá-me prazer até mais não. Só pensar que posso falar contigo mais umas horas, mesmo que seja só na minha cabeça, nada me deixa mais feliz.
Devido à distância de dois dedos, ou mesmo que sejam dois dedos que nos liguem, nada me deixaria mais feliz que dois dedos de conversa. Conversa com dois dedos de testa. Um passinho de dança e um braço para apoiar a queda. 
Que queda?
Que queda! 
Caí completamente. Clichê, mas e quê? Nunca fui muito original naquilo que sentia, só nunca senti. E por nunca ter sentido, achei nunca sentir. Mas todas aquelas voltas de estomago não podem ser gases, muito menos sintomas prévios de parto. 
Já ameacei que parto. Saio daqui para fora ou parto a louça toda. 
Sou um zero à esquerda e não digo uma coisa direito. De oito a oitenta sem tirar o pé do travão. Gasto o alcatrão só para dizer que estou atrasado - não sou.
E se sou é por falar contigo, tanto Manuel Cruz e Tiago Gonçalves, tanto Pessoa como Espanca olham para mim lá do alto como mais um dos seus parceiros de escrita. Não que escreva como eles, mas sinto-me como eles, incompreendido. E se ninguém escreve aquilo que eu quero ler, escrevo eu. Se todos te dizem que és bela, então vou-te dizer que és horrível. Não que acredite, mas eles também não. 

Sou sincero naquilo que digo e se digo que quero estar contigo, o mínimo é desligares o telemóvel antes que eu me passe e te diga o quanto não te amo, mas gostaria.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Juro que não sei porque gosto de ti mas se tivesse de o dizer por uma palavra seria:

05:37:00
Cartilagens fragmentadas de formações duvidosas,
Sinergias complexas, pouco ou nada vantajosas,
Surgem poucas mas marcantes, até um pouco penosas,
Têm o seu "quê" de impactantes, se não fossem tão venenosas.

Do norte surge o vento, que contrasta com a secura com que me levanto,
Este tão vasto pranto, prontamente me espanto,
Este sulista envergonhado, que sabe que não é tão amado,
Vê então para ele uma gota no seco lago.

Ser colado a uma doce fragrância,
O amor de uma criança,
Uma tristeza sem fim.

Quando percebe o taciturno
O diário virou noturno,
O otário virou sortudo,
Mas sozinho ainda assim.

Alinharei então pedras dos mais de mil tamanhos,
Contratarei mais de mil pedreiros,
Formarei mais de mil maneiras de te dizer o que sinto.

Então no fundo, mais de mil areias,
Ciumentarás mais de mil sereias,
Porque até agora mais nenhum homem fez isto para ti.


sábado, 21 de janeiro de 2017

Ninfa de Vénus

13:10:00


Olá, 
não sou uma mulher donairosa mas comparo-me a poucas figuras, ímpares, na designação de beleza humana. Peco por existir. Vénus, Afrodite, Aine, Branwen, só para falar de algumas das minhas vitimas. Sou o produto de alinhamentos espaciais. A prova viva da enorme aparência feminina. 
O meu corpo tem mais de são do que de insano, como tantos homens malevolamente proclamam por não serem pareo para o meu interesse. Infelizmente não me prendo à estética e sou mais inteligente que eles. Sei que o sou. Mas é belo ver um homem apaixonado, a dedicar tantas metáforas e tantas comparações a ninfas e seres celestes. Sou uma sortuda, sei disso. Mas não posso deixar que a minha condição de humana se manifeste e deixar transmitir um certo ar de preocupação para com estes coitados que acham que me merecem. Sou tão superior a todos eles. A todas elas. 
Sou, como tantos me chamam, a "Ninfa de Vénus". "A intocável" ou "a Deusa" como muitos me chamam. Sou quem sou e nunca serei domada pelo homem. 

















Um sonho toma forma no nevoeiro. 
Não é nem o deixa parecer. 
Perfeição é rudeza. 
Mulher incomparável. 
Muito acima da aparência. 
Mas um sonho que se forma no nevoeiro.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Cinza

12:40:00
O que é a vida?
Para mim é o preto e o branco.
É engraçado como vemos a morte. Vemo-la uns de preto, o fechar dos olhos, a apoteose de uma vida. Outros vêem de branco, o Céu, a vida para além da vida.
Poucos são aqueles que vêem a morte como a vida. Mas em vez de pequenos momentos pretos e brancos, é um único momento: Cinza.
Não é uma verdade. Mas explica de uma maneira simples e algo concreta a complexidade agregada À questão "o que está para além da morte?"
Leva tempo a pensar. Leva anos, até séculos. Poucos ou nenhuns chegaram a uma conclusão. Talvez porque a morte não é mais uma cor simples, não seja mais um tom de branco ou preto e seja, prolongável perante o tempo, o mesmo tom. Cinza.
Não é uma forma fácil de abordar a situação mas talvez a menos complexa, e a mais fácil. Uma questão não muito levada a sério pois o cinza culmina tudo o que nos foi ensinado em vida. Branco e Preto.
Branco e Preto.
Cinza.

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